Pedaços

Pedaços

Um dia comum, o retrato de uma família unida reluzia no vidro do porta-retratos, que enfeitava a estante daquela sala tão harmônica. Meus olhos ficaram presos e imersos na felicidade que estava estampada naquela fotografia, por alguns minutos. Pensei que tal interesse e atenção fosse algo natural, afinal era uma bela imagem. Distanciei-me do cômodo e voltei a minha intrigante realidade. As horas passaram e a rotina manteve-se longe nesse longo e confuso dia. Já era tarde quando voltava para casa, estava fazendo um caminho diferente nessa noite, não sei por que mais senti vontade de vislumbrar o mar. Foi nesse instante que a natureza me envolveu delicadamente, o barulho das ondas do mar ecoavam em meus ouvidos, as árvores dançavam silenciosamente na companhia do vento. E foi neste momento, encostada naquele vidro, imersa naquela paisagem deslumbrante que mais uma vez eu me senti oca. A sensação era como se eu estive me observando, como se eu fizesse parte daquela cena, era como se estive imersa naquelas águas, envolta pelas lembranças fantasiosas da minha alma. Sem muito pensar, troque de posição bruscamente, voltando assim a minha realidade. Agora estou aqui, deitada novamente em minha cama, tentando assimilar tudo o que se passou durante esse dia, tentando entender a fantasia e a realidade, tentando buscar algum sentido a tudo isso. Na verdade eu estou querendo juntar os pedaços que deixei para trás ao longo desses anos todos, estou querendo apenas ser inteira novamente

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