A menina e o medo

A menina e o medo

A verdade é que no fundo eu sempre tive medo, e a cada decepção eu perdia um pedaço.
Ao longo dos anos, eu fui ficando cada vez mais perdida, eu era menos, eu era insignificante.
Fui perdendo tudo que era meu, fui perdendo a vontade, fui perdendo os amigos, eu estava me perdendo.
Eu deixei o medo entrar em minha veias, eu o deixei percorrer todo o meu corpo, eu me entreguei a ele.
O medo me dissipou a nada, ele levou tudo embora.
Era medo de ser esquecida, era medo de ser aceita, era medo de não ser amada, era medo de fazer algo errado, e no fim eu não era nada por ter medo de tudo.
Fui me apegando ao que não me machucaria nunca:os livros.
Grande falha minha, porque tudo iria me machucar enquanto a ferida estivesse aberta.
As palavras, as canções, o ar, tudo exatamente tudo conseguia me ferir.
Eu precisava me encontrar, juntar os pedaços, perder o maldito medo de viver.
Eu tinha que me aceitar, conviver com as minhas falhas, concertá-las.
Foi então que eu percebi que tudo aquilo que um dia eu afastei, era exatamente tudo o que precisa para me reconstruir.
Acho que por isso nos dias atuais, as palavras tem tanta força sobre mim, elas expressam tudo aquilo que um dia foi jogado fora, elas contam a minha história.
Talvez agora, depois de ler tanta coisa, eu tenha em fim recuperado a confiança, talvez agora eu tenha compreendido, que o medo sempre vai existir, eu só não posso deixá-lo no controle.