The red velvet

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Sinto como se pudesse me embebedar toda vez que te vejo. Os olhos obedecem aos seus movimentos. As mãos, sem jeito, encontram o peito.
Mergulhada em vermelho, me vejo indo cada vez mais fundo, afundando e afundando.
Mãos se estendem e me puxam de volta a realidade. Volto para o momento em que avisto um sorriso largo, vindo em minha direção.
Assim, seguro meu coração com uma das mãos e bebo com voracidade todo aquele líquido vermelho paixão. Devolvo ele ao lugar em que deve habitar, e ali, quentinho, ele bate oscilando a cada olhar encontrado. Me sinto viva, cada dia mais!

 

xx Luana c 

Mas, e se o tempo parasse?

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Me perco e me encontro, nas voltas que a vida dá. Seria mais fácil se não as desse. Ficaria estagnada no momento, e não sofreria por alguma vírgula dita fora de contexto. Me sentiria segura por mais tempo.

Lidaria melhor com os sentimentos e sensações, que me atormentam a todo tempo. Ficaria feliz pela chuva que cai.

A alma então ficaria leve e voaria por todos os lugares, em busca de novas experiências e aventuras. Viveria mais, amaria mais.

Mas os mesmos dias que vão, voltam e me fazem abrir os olhos.

E se…

E se nos encontrássemos entre as ruas da cidade, você reconheceria meu rosto novamente? Ou se estivéssemos no parque, livremente em cima de uma bicicleta, com o vento sobrando em nossos rostos, cabelos esvoaçantes, desviando das pessoas a nossa frente, você reconheceria meus olhos novamente? E se nos conhecêssemos de novo, naquela loja de discos velhos e usados, com o cheiro de mofo invadindo nossas narinas e o som da mesma canção penetrando em nossos  tímpanos e chegando ao cérebro, você reconheceria minha voz novamente? Se os anos não estivessem sido tão cruéis conosco, você ainda estaria deitado no meu sofá, numa tarde de domingo, com a barba para fazer? Mas se eu não tivesse sido tão rude, você ainda faria as mesmas coisas, que fez para me ver feliz? Estaria do meu lado, como quando cortei o dedo preparando nosso jantar, ou quando cortei meu cabelo igual ao teu?

Costumávamos, na maior parte do tempo, rir do vento que invadia a sala de estar e espalhava nossas fotos sobre a mesa. Gostávamos de ficar acordados até tarde, com meia luz no quarto. Era assim que nos abríamos um com o outro…

Mas o tempo foi gastando nossa amizade. Era como se centenas de serpentes nos rondassem a todo tempo. Era preciso tomar cuidado para não entrar em nenhum labirinto secreto, da nossa sala de estar. As palavras que antes curavam, agora doíam mais que dezenas de facas entrando por todo seu corpo, e te matando aos poucos. Mas o silêncio foi crucial. Foi ele quem calou nosso amor de vez.

Daí me pergunto: se você ainda estivesse aqui, como eu estaria? Feliz, triste, alegre, deprimida, eufórica, tensa, solitária… Ai me vem outras perguntas: e se nos conhecêssemos novamente, escreveríamos a mesma história ou mudaríamos algum ponto final, ou colocaríamos uma vírgula em outro lugar? E se o final não fosse o final, teríamos uma nova chance e você reconheceria os meus sentimentos, novamente? E se a culpa fosse minha, você voltaria a viver na nossa montanha-russa particular, sem pensar o que os outros acham sobre isso? Você estaria aqui novamente? E se eu cantasse para você, você deitaria no meu colo chorando como fez centenas de vezes? Você saberia me amar, como amou? Mudaria seu nome, para que pudéssemos fugir para um lugar onde pudéssemos infringir todas as leis, só para estarmos mais perto do céu? E se eu fosse a princesa que você tanto queria, você estaria me esperando em cima de um cavalo branco, na porta de casa? E se… E se eu dissesse que ainda te amo, você tocaria a campainha, como está fazendo?

Script

Acordei, assustada, certa noite. Eram os olhos mais fascinantes, que eu já vi. Eram grandes, expressivos, e com um tom de azul, que lembrava o céu no seus extremos. Eram três e quarenta sete da manhã, e sono não havia mais. Como poderia perder o sono, por causa daqueles olhos, que invadiram minha mente, durante a noite e penetraram em meu coração, fazendo-o bater como uma bateria de escola de samba?

Virava para o lado, no intuito de pensar em outras coisas ao fechar os olhos. Mas não conseguia.  Era como se fosse uma foto, por dentro das minhas pálpebras. Comecei a pensar se aqueles olhos, realmente, existiam e se existiam, onde estavam aquela hora, da madrugada. Dormindo? Festejando? Morrendo? Um zilhão de perguntas me tomaram a essa altura, mas uma me fez pensar até o Sol amanhecer: será que os mesmos olhos azuis, viram os meus olhos castanhos, em seus sonhos, essa noite? Não seria possível. Era apenas a minha imaginação, um amigo ou um namorado imaginário, que minha mente me deu de presente naquela noite. Só isso!  Mas eu tinha uma certa dúvida.

Quando olhei para o relógio, já eram sete e meia da manhã e estava na hora de levantar. Eu trabalhava em um café, no centro da cidade. Era um café grande, bem movimentado e muito bem frequentado. Tive um namorado, na época da escola, que sempre me levava lá. Adorava passar as tardes conversando com ele,  rindo dos pés que passavam na calçada. Eu amava aquele mundo, que ele havia criado para mim. Mas acho que ele não gostava muito… Então nos separamos e passado uns dois meses, comecei a trabalhar naquele café. Confesso que no começo, eu estava ali apenas para recordar, as boas lembranças que tinha dele, mas agora a situação era outra: necessidade.

Pelo grande ato de arrumar-se (tomar banho, secar o cabelo, maquiagem, colocar o uniforme) acabei-me esquecendo daqueles olhos. Fazia o trajeto de casa para o trabalho, andando. Observar os sapatos das pessoas, os cabelos esvoaçantes das mulheres e as gravatas engraçadas dos homens, acabava me distraindo. Tudo não dura mais do que vinte minutos.

Nesse dia, cheguei atrasada. Mas por sorte, o café estava com pouco movimento, aquela manhã. Então comecei a arrumar o lugar. As mesas, que eram inspiradas nos cafés americanos, os canudos no balcão, limpar o chão… Realmente, naquela manhã, estava tudo meio morto, demais.

Depois do meio-dia, começou um movimento, mas foi às três e quarenta e sete, daquela tarde, que tudo aconteceu. Estava na máquina de café, preparando um latte, quando ele entrou. Barba, cabelos nem curtos e nem muito compridos, no meio termo. Sorriso largo, pescoço comprido. Franzi a testa, como se estivesse forçando a mente, para lembrar-me da onde eu conhecia aquele estranho familiar, que acabara de entrar. Não conseguia lembrar, também não conseguia parar de olhar –café transbordando pela xícara e queimando minha mão. Fiz um movimento com a mão, igual quando alguém está com a mão ensopada de água ou algum líquido, faz. Limpei a porcalhada que havia feito e levei o latte. E foram aqueles metros que separam, a mesa do cliente e o meu posto (atrás do balcão), que algo fantástico aconteceu. Enquanto eu voltava para o balcão, senti uma pessoa cutucar meu ombro, dizendo “moça!”. Com o canto dos olhos, enxerguei uma mão e vagarosamente, virei a cabeça. Nesse momento, meus músculos paralisaram. Minha respiração ficou ofegante e meu coração bateu mais forte, do que naquela madrugada.

– Os olhos!  -falei olhando fixamente, para eles.

O café estava cheio, nessa hora, mas parecia que só havia nós, no meio do salão. Senti que ele também ficou com a mesma sensação que eu. Era estranho, pois senti sua respiração ofegante, e não precisei me aproximar para sentir seu coração, pulando dentro de seu peito. Era como se o destino, tivesse me avisado naquela noite, que meu dia mudaria do nada como mudou, com a entrada daquele moço no café.

Percebi que seus músculos, também ficaram paralisados, como os meus. Mas vagarosamente, levantou as mãos. E as mesmas, que antes  estavam paralisadas, agora estavam em meus cabelos.

– Estranho! -falou passando a língua pelos lábios. Seus olhos! Sonhei com eles, essa noite. Você pode me achar um louco, mas eram eles  -fez uma pausa- aliás, é você a menina com quem eu venho sonhando, há alguns dias.  –passando as mãos em meu rosto, continuou- E eu achando que era só a minha imaginação. Fiquei com a sua fisionomia durante dias, em minha mente. Não consigo acreditar, que você é real!

– Eu também, não consigo acreditar, que você é real. -falei abaixando a cabeça.

– Como assim?

– É inacreditável, mas eu sonhei com seus olhos essa noite também. Até perdi o sono, pensando neles. Como é possível isso? Lembro que no sonho, eu sentia uma coisa muito forte por você, mas você me deixava e eu não sabia o porquê.

– Já no meu, era você quem me deixava. Eu corria para te alcançar, mas você sumia no meio de uma nevoa.  Mas agora, eu consegui te achar.  –escancarou um sorriso largo para mim.

Ele me puxou para perto e me beijou. Nos beijamos. Eu e e aquele par de olhos azuis, que me consumiu a noite toda.

Todos no café, bateram palmas para a nossa cena. E batem palmas até hoje, quando no meio do expediente  aquele moço chega com um buquê de rosas vermelhas, para mim e se declara no meio de todos. Ele diz que ainda vive aquele sonho, que um dia nos uniu. Foi como se estivesse escrito, num script.

Até breve!

“Seus dedos entrelaçados com os meus, já não tem mais o mesmo sabor. As juras de amor ao pé do ouvido, já não são mais excitantes como antes. As trocas de olhares e os sorrisos, à cada dia mais forçados, veem me desgastando aos poucos.

Te ver sorrindo junto à outra garota, já não me importa mais. Fico feliz por você estar rindo. Fico leve, por você ainda rir.

Mas dai você me olha, e sussurra um “eu amo você” e eu sinto paz. Eu ainda o amo, mas sinto que estou desprendendo-me de você.

Ando precisando de espaço, e uma caderneta para pôr minhas ideias e meus pensamentos no lugar. Sinto que chegou a hora do tal “adeus”, embora eu ainda o ame muito.

Ser eu, estar com as pessoas que me fazem bem. Ir aos lugares que reneguei quando você chegou. Voltar ao início. Recomeçar…

Sinto muito se não fui quem você sempre quis. Se eu gostava de molho à bolonhesa e você de molho rosê. Sinto muito, sweetheart!

Você costumava me dizer que as coisas sempre vão, mas também sempre dão um jeito de voltar… Quem sabe, se você ainda tiver disposição, eu não volte? Mas por enquanto, eu preciso ir. Preciso me reencontrar, me preencher…

Obrigada por todos os abraços que precisei, por todas as palavras que implorei. Você é maior do que todo o sofrimento, aguente firme!

“(…) You’ve already won me over in spite of me

Don’t be alarmed if I fall head over feet

Don’t be surprised if I love you for all that you are

I couldn’t help it

It’s all your faults (…)”

Meus olhos são para você, mas seus olhos são para mim?

                           Leia a narração à seguir, ouvindo Nicest thing (logo abaixo)

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Meus olhos, sempre desejaram os seus. Desejavam aquele olhar arrebatador que deixava ela de pernas bambas e coração acelerado.

O timbre da sua voz encontrando com o meu e entrelaçando nossas risadas, me deixava aflita e fazia do meu peito um show do Olodum. Mas ela te acompanhava de perto, e eu me mantinha fingindo.

Minhas mãos ansiavam pelo seu corpo e cabelos, mas eram as dela que encontravam seu corpo magricela e seus cabelos encaracolados, todas as noites.

Meus pés seguiam o caminho exato aos seus, mas davam meia-volta quando encontravam passos alheios aos seus pelo caminho.

E eram nas noites frias, que eu me encolhia pensando em você. Ficava com saudades dos momentos que eu não tinha tido, ao seu lado. Saudade do que eu poderia ter sentido. Mas era somente você e os olhos dela. As mãos dela. A voz dela. Os passos dela… A vontade e o desejo, transformavam-se em lágrimas de desespero e agônia.

E você sabia tudo: meus gostos, meus sonhos, meus desesperos e meus amores. Só não sabia do meu amor maior: você. Não sabia que eu amava seus pequenos olhos castanhos, suas mãos, seus cabelos, sua boca…

O seu mundo, não tem espaço para mim como ela tem. Mas o meu mundo, tem espaço para você como o dela tem. Mesmo que seus olhos nunca encontrem os meus, sou feliz por você estar presente no meu peito. As angústias estão ai para serem sentidas, mas se o amor é maior… aaaah! tudo vale a pena.

 

 

Beijos e queijos, Luana c.