Devaneios da Nathy

Meus primeiros contatos com a leitura

Desde pequena eu sempre fui muito apegada a histórias, contos e toda essa coisa de ‘contos de fadas’.Lembro que eu tinha uma coletânea de livros da Xuxa que incluíam todas aquelas histórias clássicas que tanto amamos. Ia da Branca de Neve á Fada Pluminha, passando por Bela Adormecida, Cinderella entre outros. O kit era os livros todos com belas ilustrações e Fitas cassetes com a história narrada. Era o máximo,  minha mãe sempre achou interessante a forma que aquilo me entretia, eu ficava horas folheando os livros e me imaginando dentro das histórias.

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Depois de tantas visitas ao ‘mundo encantado’ minha mãe me apresentou um livro que mudou muito a minha forma de agir, de pensar e de ver a vida. Comecei a levar as coisas mais a sério, aprendi a valorizar mais as coisas e pessoas que me rodeavam, e também descobri que sonhar é necessário sempre.

Qual foi o livro que li?
Adivinhem!!
Não podia ser outro além de ‘O Pequeno Príncipe.’

Livro de criança? Com certeza!
Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi.
O pequeno Príncipe devolve a cada um o mistério da infância.De repente retorna os sonhos. Reaparece a lembrança questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia. Voltam ao coração escondidas recordações  O reencontro,o homem-menino.

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“Mesmo nossos fracassos são parte de nossos pertences”

No fim de minha infância, minha mãe novamente me presenteou com outro livro, um livro que ela leu na sua adolescência, que a fez abrir os olhos para vida, ver outros horizontes. O livro era “Pollyanna” de  Eleanor H. Porter, tenho esse livro como uma espécie de amuleto. Toda vez que a vida me prega uma peça, que me sinto mal com alguma situação é esse livro que me levanta e me joga para vida outra vez. Já perdi as contas de quantas vezes já o li, e de quantas vezes Pollyanna me tirou um riso com seu mágico jogo do contente.

A pequena Beldingsville, uma típica cidadezinha do início do século XX na Nova Inglaterra, Estados Unidos, nunca mais seria a mesma depois da chegada de Pollyanna, uma órfã de 11 anos que vai morar com a tia, a irascível e angustiada Polly Harrington. Por influência da menina, de uma hora para outras tudo começa a mudar no lugar. Tia Polly aos poucos torna-se uma pessoa melhor, mais amável, e o mesmo acontece com praticamente todos os que conhecem a garota e seu incrível “Jogo do Contente”. Uma otimista incurável, Pollyana não aceita desculpas para a infelicidade e emprenha-se de corpo e alma em ensinar às pessoas o caminho de superar a tristeza.

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“Muitas vezes me acontece de brincar o jogo do contente sem pensar, a gente fica tão acostumada que brinca sem saber. Em tudo há sempre alguma coisa capaz de deixar a gente alegre; a questão é descobri-la.”

E para finalizar essa minha ‘introdução’ a leitura. O último e não menos importante ” O diário de Anne Frank “. Eu sinceramente não tenho palavras que cheguem á altura deste livro. Você que não leu, corra eu um sebo e leia já. É o tipo de livro que não pode deixar de ser lido, é o tipo de história que jamais será revivida e que deve ser contada e recontada milhares de vezes. É a história de uma jovem que perde a ‘vida’ e tem que se esconder, que deixa para trás sonhos, amores (…) Tudo foi tirado dela, mais a sua esperança sempre foi algo que ninguém tocou. Me identifico um pouco com Anne e é como se eu carregasse um pouco dela comigo, como se ela me emprestasse sua coragem nas horas mais dificies. Se tem um livro que me conquistou do início ao fim e que me fez ter o interesse que eu tenho hoje pela leitura esse livro é O Diário de Anne Frank.

12 de junho de 1942 – 1° de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de muitos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente seguiu para Auschwitz e mais tarde para Bergen-Belsen.

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“Para ser franca, não consigo imaginar como alguém poderia dizer “Eu sou fraco” e continuar assim. Se você sabe isso ao seu respeito, por que não luta contra, por que não desenvolve o caráter?”

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Devaneios da Nathy

História …


Eu já li muitas histórias em todos esses anos, mais sempre tem aquela que nos interessa mais, aquela que nos completa, aquela que vemos como se fosse a nossa. Eu encontrei essa história escondida debaixo do tapete de um quarto escuro, um lugar aonde ninguém iria encontra-lá. Terrível engano de quem a escreveu, porque eu a achei, e a li como se fossem as últimas palavras que iria ver antes de partir, li de coração aberto, li para amenizar a dor.

“Engole o choro menina o mundo não acabou foi só uma queda, coloca um curativo nessa ferida. Eu sei que o quanto doí, mais como qualquer outra dor ela passa. Vai demorar um tempo eu sei, porque eu sinto as mesmas dores que você, acredite. Talvez você nunca tenha percebido antes mais toda essa angústia  que anda continuamente contigo, faz parte de mim. Sim menina eu também tenho mágoas e tristeza cravadas em meu íntimo. Você não vai morrer, não agora não por isso. O tombo foi grande, eu vi, presenciei a sua queda, não pude ajudar, me desculpe, mais certas coisas só você pode fazer. É você que tem que levantar sozinha sem se apoiar em nada e nem em ninguém. Vai dar uma volta pequena, começa a olhar a vida com outros olhos, procure sorrir. O seu sorriso ilumina os dias escuros, ele tem a sintonia perfeita com os raios solares.  Percebeu que ainda há chances? Que ainda existe força? Vamos lá pequena, levanta daí, lava esse rosto e mostra tua coragem, mostra ao mundo que ainda há esperança. Desculpa não poder me apresentar, mais no fundo você sabe quem eu sou, e irá lembrar de todas essas palavras como se fossem um deja-vú. Se cuida menina, e eu estarei aqui com você a cada respiração, estaremos sincronizadas para sempre”

Depois de ler e reler milhões de vezes todas essas palavras escritas por alguém misteriosamente, eu percebi, eu enxerguei a verdade que sempre esteve a minha frente. Não era ninguém, era apenas o meu próprio coração clamando em voz alta para que eu voltasse para ele. E foi por ele que eu levantei, vesti o melhor vestido que havia em meu armário e fui viver mais dessa vez olhando para frente, sem medo de novas quedas, aberta para novas descobertas.

– Nathalya Monteiro

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